12 abril, 2005

Vem DENEM, DENEM vem. (parte I)

Eu fui no COBREM. Também fui no Fórum Social Mundial, mas isso não vem ao caso. Eu sei que é errado, mas eu queria saber o que eles tanto fazem nesses encontros. O COBREM é um encontro dos estudantes de medicina de todo o país organizado pela DENEM, o cosmodemoníaco Diretório Nacional dos Estudantes de Medicina. Eles se trancam em alguma escola pelo Brasil e ficam discutindo as medidas a serem tomadas pelo movimento no próximo ano. Sim, eles se chamam de movimento. E discutem mesmo, horas e horas. Também organizam palestras de interesse dos alunos. Esse ano a estrela foi o senhor João Pedro Stédile, claro, o líder dos sem terra. Ele deve ser membro ativo de algum conselho regional, ou mesmo do Ministério da Saúde.

Voltando ao assunto. A idéia do COBREM é a seguinte: 1) Os alunos de medicina, se bem organizados, formam um lobby político importante; 2) O atual ministério da saúde precisa de gente para espalhar as suas idéias 3) Se os organizadores não fizerem festas, nenhum estudante de medicina que se preze vai perder seu tempo indo para os mais diversos cantos do país para escutar o que a DENEM diz; 4) O COBREM não tem festa; 5) Quem vai é ou do diretório, ou simpatizante, ou um completo perdido que pode ser conquistado 6) Conclusão: Se faz um evento nacional onde se pode aprovar tudo que se quiser em nome de todos os estudantes de medicina, selecionar novos membros para a articulação e ainda fazer propaganda do Ministério da Saúde e dos movimentos sociais.

Acontece que a pretensão deles foi longe demais. No evento desse ano, muitos dissidentes do movimento, como eu, compareceram. Perguntas antes impensáveis ("O que esse sem terra está fazendo aqui!?") começaram a surgir. La resistance, como dizia um amigo meu, chegou para acabar com a festa. Foi um caos. Tinha cara querendo ouvir até o que eu dizia no ouvido das gurias nas festinhas. Reunião da regional Sul I (eles conseguiriam subdividir até o sudoeste em áreas de influência) e lá estavam o pessoal da Sul II, Sudeste I, Nordeste II e assim por diante. Todos despretensiosamente olhando fotos ou tomando um ar na janela da nossa sala de debate. Quando se perguntava para um membro da gestão o porque de tanta hostilidade conosco eles respondiam que o movimento não quer idéias contrárias, e que o evento era realizado para fortalecer o movimento. “Fortalecer” nesse caso quer dizer “alienar”, para você que ainda preza o bom português.

O diretório nacional é basicamente formado por alunos de esquerda, tipo Psol ou PSTU, que se dizem contrários a sociedade médica e seus órgãos representativos. O que fica complicado de entender é o seguinte: Como alguém consegue conciliar o desejo de se tornar um profissional e ao mesmo tempo odiar esse profissional? Ou então, como alguém pode ser contra o sindicato que tem que pagar a passagem para ele ir nos mais variados eventos? É como eles dizem, "a DENEM é uma coisa mística, uma formação coletiva assim sabe, essa coisa linda que vocês estão vendo se criar aqui." Ficou tão mística que hoje só trabalha para o ministério.

No estatuto, faz parte da DENEM todo e qualquer estudante de medicina. Ou seja, passe no vestibular e ganhe de brinde a carteirinha de membro do clube. O problema é que quase ninguém sabe disso, e mesmo quem sabe, não tem tempo ou interesse para se meter com um bando de psicopatas tão perigosos. Eu não me importaria nenhum pouco com eles, não fosse o poder que eles estão ganhando. Não são poucos os ex-membros de gestões da DENEM que hoje estão no Ministério da Saúde pensando em todas as maneiras possíveis para interferir na vida do médico. Uma reformulação completa da profissão está sendo discutida. Vai da implementação de um sistema público de saúde onde todos os médicos deverão trabalhar até a possibilidade de troca do nome "médico" por "agente de saúde", que ofende menos. Sim, a palavra médico é socialmente ofensiva, e chega dessa visão pequeno burguesa do médico como um profissional liberal. A ordem agora é trabalhar para o governo que é quem sabe o que é melhor para a nação. Então, classe opressora e prepotente, abandonem os gastos supérfluos naquela boa churrascaria do sábado e vão logo baixando os seus narizinhos. O nosso futuro, pelo visto, estará imerso em burocracia.

 
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